A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO
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Olívia Abertton é doce, engraçada e carinhosa, "a menina dos olhos" de seu pai, Ernest Abertton, mesmo sendo filha de um relacionamento fora do casamento. Gabe Clifford é o CEO da maior indústria farmacêutica do mundo. Inteligente, sagaz, um homem sem coração, capaz de tudo para alcançar o que deseja. Ele levou anos preparando sua vingança contra os Abertoon. Ela seguiu sendo bondosa e alegre, mesmo quando tudo ao seu redor parecia desabar. Ele queria destruí-la para saborear cada lágrima de Ernest Abertton, o homem a quem dedicou sua vida para ver sofrer. Ela era apaixonada pelo irmão…
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Chapter 1
POV GABE
Ouvi uma batida na porta e Jorel entrou. Meu irmão era a única pessoa na face da terra que se atrevia a entrar na minha sala sem bater. E que pouco se preocupava em ser anunciado, como se a presença dele fosse importante o bastante para não precisar de nenhuma formalidade.
- Recebi seu recado. – Ele sentou-se à minha frente, pegando uma caneta que estava sobre a mesa – Quanto você pagou por esta porra?
- Menos do que você paga por uma prostituta. – Mal retirei os olhos do que eu estava fazendo no computador.
- Não saio com prostitutas. Sou um homem disputado o bastante para felizmente não precisar pagar ninguém para me satisfazer sexualmente, como "uns e outros" por aí. – Deu uma risadinha debochada.
Minimizei a tela importante na qual eu estava trabalhando e o olhei:
- Não lembro de ter lhe dado o direito de sequer "pensar" no que faço ou deixo de fazer. – Deixei bem claro.
- Quando levanta a sobrancelha deste jeito você parece um velho. – Seguiu me provocando.
Respirei fundo e tentei botar na minha cabeça que Jorel era um idiota e que me seria útil, principalmente agora:
- No auge dos meus 30 anos não me acho um velho. Mas existe uma coisa que se chama "maturidade', que você não aprendeu na faculdade.
- Sabe que tenho faltado algumas aulas. – Gargalhou, achando divertido o fato de não se preocupar com porra nenhuma na vida a não ser bocetas.
- As pessoas fazem escolhas na vida. Se a sua foi ser um idiota sem futuro, lembrado pelo número de bocetas que comeu ao longo da vida, estou me fodendo.
- Me chamou aqui discutir meu estilo de vida? – o corpo dele arqueou-se levemente para frente, parecendo pouco interessado.
- Não. Na verdade, o chamei aqui para dizer que você irá casar! Parabéns!
Maximizei a página no computador, voltando a trabalhar na análise do projeto importante que eu precisava terminar até o fim do dia para aprovar ou reprovar.
Ouvi Jorel gargalhando, não me dando ao trabalho de olhar para sua cara idiota. Até porque, eu sabia que ele faria o que eu mandava. "Todos" me obedeciam e com meu irmão não seria diferente.
Segui fazendo a leitura das letras minúsculas na frente do computador, E a risada irritante dele foi diminuindo, até que parasse:
- Por que me chamou?
- Eu já disse! – Me limitei a dizer, indisposto a gastar minhas cordas vocais.
- Eu não vou casar. Se você leu isto em algum site por aí é mentira. Aliás, estas porras de sites de fofoca só servem para isto hoje em dia, destruir a reputação de bons rapazes, como eu! – Aquele tom de deboche dele me irritava profundamente.
- Sim, você vai casar – confirmei, de forma tranquila – Com Olívia Abertton.
Jorel voltou a rir feito um jumento. Como assim aquele laboratório queria que eu comprasse um medicamento que já tinha negociado com outra indústria farmacêutica? Não deviam nem ter mandado a proposta. Todos no ramo já sabiam que eu não negociava produtos que não fossem exclusivos. A Clifford já estava num patamar que nem precisava mais competir. Era a melhor do mundo.
- Você pode olhar na minha cara pelo menos, porra! – Jorel alterou a voz, quase num grito.
Suspirei e abaixei a tela:
- Acredita que ainda tem laboratórios que querem negociar com a Clifford sendo que já venderam o produto para outra indústria farmacêutica antes? – me recostei na cadeira de couro, levemente estressado com a petulância de algumas pessoas do meu ramo.
- Estou me fodendo para a porra do seu negócio, Gabe. De que casamento você está falando?
- Do seu – voltei a enunciar de forma tranquila, caso ele não entendesse que não tinha opção de fugir daquilo – Você casará com Olívia Abertton.
- Nem fodendo! – Ele riu, mas percebi aquele nervosismo de homem imaturo medroso passando por seus olhos.
- Sim, você vai.
- Por que você está mandando? – riu de novo, os lábios mal se movendo – Sou de maioridade, esqueceu? Não pode me obrigar!
- Está apaixonado por alguma de suas prostitutas?
- Elas não são prostitutas. – Vociferou.
- Aproveitam-se da sua bebida cara, dos jantares que lhes oferece nos mais luxuosos restaurantes e deitam-se nos melhores lençóis dos mais premiados hotéis do mundo. Em troca lhe dão sexo. São prostitutas!
- Você é muito filho da puta!
- E você um playboy mimado que não tem nada para fazer da vida. Então vai casar e pronto.
- Por que tem tanta certeza?
- Porque se não fizer isto, tirarei a sua mesada.
- Não pode fazer isto.
- Sim, eu posso. A recebe por caridade. Não é meu filho nem nada. Não tenho obrigação alguma com você para lhe dar dinheiro mensalmente a fim de que enfie em vagabundas por aí.
- Sou seu irmão, Gabe.
- E me vendeu sua parte na empresa, lembra-se?
- Você não me pagou nem perto do que valiam e sabe disto.
- Fiz a proposta e você aceitou. Sinto muito se não teve bons advogados que lhe orientaram a não aceitar minha oferta.
- Caralho, você saiu de onde? Porque duvido que tenha sido da barriga da nossa mãe.
- Case-se com Olívia Abertton e seguirá recebendo sua "gorda" mesada todos os meses. E quando ainda assim ela não for suficiente, posso lhe dar um extra quando precisar.
- Qual o problema com esta garota?
- Nenhum. Ela inclusive não é feia.
- Não é feia? – pegou o celular para verificar quem era.
- Ela é um chuchu: insípida, inodora e insignificante.
Vi um sorriso se abrir no rosto de Jorel:
- Ela é bonita! Qual o problema com ela? Quer que eu faça caridade? Deseja fazer negócios com a família Abertton?
- Longe de mim – deixei claro – Como eu disse, "ela" é insignificante. Mas o pai dela é digamos... Alguém com que eu tenho algumas questões a resolver. Mas são pessoais. Não tem nada a ver com você.
- Acho que até um chuchu já foi melhor descrito na vida! – ele voltou os olhos para a tela do celular – Ela estuda Medicina.
- Continua sendo um chuchu.
- Talvez seja muito inteligente para mim.
- Seu único trabalho é ir na igreja, casar com ela e viver a sua vida.
- Eu sou muito novo para casar, Gabe. Tenho 22 anos. E ela tem... 19. Um bebê! Duvido que o pai dela autorize esta babaquice.
- O pai dela não tem condições de autorizar ou não.
Ouvi uma batida na porta e Jorel entrou. Meu irmão era a única pessoa na face da terra que se atrevia a entrar na minha sala sem bater. E que pouco se preocupava em ser anunciado, como se a presença dele fosse importante o bastante para não precisar de nenhuma formalidade.
- Recebi seu recado. – Ele sentou-se à minha frente, pegando uma caneta que estava sobre a mesa – Quanto você pagou por esta porra?
- Menos do que você paga por uma prostituta. – Mal retirei os olhos do que eu estava fazendo no computador.
- Não saio com prostitutas. Sou um homem disputado o bastante para felizmente não precisar pagar ninguém para me satisfazer sexualmente, como "uns e outros" por aí. – Deu uma risadinha debochada.
Minimizei a tela importante na qual eu estava trabalhando e o olhei:
- Não lembro de ter lhe dado o direito de sequer "pensar" no que faço ou deixo de fazer. – Deixei bem claro.
- Quando levanta a sobrancelha deste jeito você parece um velho. – Seguiu me provocando.
Respirei fundo e tentei botar na minha cabeça que Jorel era um idiota e que me seria útil, principalmente agora:
- No auge dos meus 30 anos não me acho um velho. Mas existe uma coisa que se chama "maturidade', que você não aprendeu na faculdade.
- Sabe que tenho faltado algumas aulas. – Gargalhou, achando divertido o fato de não se preocupar com porra nenhuma na vida a não ser bocetas.
- As pessoas fazem escolhas na vida. Se a sua foi ser um idiota sem futuro, lembrado pelo número de bocetas que comeu ao longo da vida, estou me fodendo.
- Me chamou aqui discutir meu estilo de vida? – o corpo dele arqueou-se levemente para frente, parecendo pouco interessado.
- Não. Na verdade, o chamei aqui para dizer que você irá casar! Parabéns!
Maximizei a página no computador, voltando a trabalhar na análise do projeto importante que eu precisava terminar até o fim do dia para aprovar ou reprovar.
Ouvi Jorel gargalhando, não me dando ao trabalho de olhar para sua cara idiota. Até porque, eu sabia que ele faria o que eu mandava. "Todos" me obedeciam e com meu irmão não seria diferente.
Segui fazendo a leitura das letras minúsculas na frente do computador, E a risada irritante dele foi diminuindo, até que parasse:
- Por que me chamou?
- Eu já disse! – Me limitei a dizer, indisposto a gastar minhas cordas vocais.
- Eu não vou casar. Se você leu isto em algum site por aí é mentira. Aliás, estas porras de sites de fofoca só servem para isto hoje em dia, destruir a reputação de bons rapazes, como eu! – Aquele tom de deboche dele me irritava profundamente.
- Sim, você vai casar – confirmei, de forma tranquila – Com Olívia Abertton.
Jorel voltou a rir feito um jumento. Como assim aquele laboratório queria que eu comprasse um medicamento que já tinha negociado com outra indústria farmacêutica? Não deviam nem ter mandado a proposta. Todos no ramo já sabiam que eu não negociava produtos que não fossem exclusivos. A Clifford já estava num patamar que nem precisava mais competir. Era a melhor do mundo.
- Você pode olhar na minha cara pelo menos, porra! – Jorel alterou a voz, quase num grito.
Suspirei e abaixei a tela:
- Acredita que ainda tem laboratórios que querem negociar com a Clifford sendo que já venderam o produto para outra indústria farmacêutica antes? – me recostei na cadeira de couro, levemente estressado com a petulância de algumas pessoas do meu ramo.
- Estou me fodendo para a porra do seu negócio, Gabe. De que casamento você está falando?
- Do seu – voltei a enunciar de forma tranquila, caso ele não entendesse que não tinha opção de fugir daquilo – Você casará com Olívia Abertton.
- Nem fodendo! – Ele riu, mas percebi aquele nervosismo de homem imaturo medroso passando por seus olhos.
- Sim, você vai.
- Por que você está mandando? – riu de novo, os lábios mal se movendo – Sou de maioridade, esqueceu? Não pode me obrigar!
- Está apaixonado por alguma de suas prostitutas?
- Elas não são prostitutas. – Vociferou.
- Aproveitam-se da sua bebida cara, dos jantares que lhes oferece nos mais luxuosos restaurantes e deitam-se nos melhores lençóis dos mais premiados hotéis do mundo. Em troca lhe dão sexo. São prostitutas!
- Você é muito filho da puta!
- E você um playboy mimado que não tem nada para fazer da vida. Então vai casar e pronto.
- Por que tem tanta certeza?
- Porque se não fizer isto, tirarei a sua mesada.
- Não pode fazer isto.
- Sim, eu posso. A recebe por caridade. Não é meu filho nem nada. Não tenho obrigação alguma com você para lhe dar dinheiro mensalmente a fim de que enfie em vagabundas por aí.
- Sou seu irmão, Gabe.
- E me vendeu sua parte na empresa, lembra-se?
- Você não me pagou nem perto do que valiam e sabe disto.
- Fiz a proposta e você aceitou. Sinto muito se não teve bons advogados que lhe orientaram a não aceitar minha oferta.
- Caralho, você saiu de onde? Porque duvido que tenha sido da barriga da nossa mãe.
- Case-se com Olívia Abertton e seguirá recebendo sua "gorda" mesada todos os meses. E quando ainda assim ela não for suficiente, posso lhe dar um extra quando precisar.
- Qual o problema com esta garota?
- Nenhum. Ela inclusive não é feia.
- Não é feia? – pegou o celular para verificar quem era.
- Ela é um chuchu: insípida, inodora e insignificante.
Vi um sorriso se abrir no rosto de Jorel:
- Ela é bonita! Qual o problema com ela? Quer que eu faça caridade? Deseja fazer negócios com a família Abertton?
- Longe de mim – deixei claro – Como eu disse, "ela" é insignificante. Mas o pai dela é digamos... Alguém com que eu tenho algumas questões a resolver. Mas são pessoais. Não tem nada a ver com você.
- Acho que até um chuchu já foi melhor descrito na vida! – ele voltou os olhos para a tela do celular – Ela estuda Medicina.
- Continua sendo um chuchu.
- Talvez seja muito inteligente para mim.
- Seu único trabalho é ir na igreja, casar com ela e viver a sua vida.
- Eu sou muito novo para casar, Gabe. Tenho 22 anos. E ela tem... 19. Um bebê! Duvido que o pai dela autorize esta babaquice.
- O pai dela não tem condições de autorizar ou não.
Chapter 2
- Se eu não casar com ela ficarei sem dinheiro?
- Não só isto!
- Não? – O olhar dele se estreitou, como se quisesse pagar para ver.
- Vou ferrar com a sua vida.
- Vou mandar fazer um exame de DNA. Duvido que tenhamos o mesmo sangue nas veias, Gabe. Olhe o que você está me dizendo!
- Você poderia ser o bebê da mamãe, Jorel, mas não é o meu! Sabe que meu tempo é precioso para que eu o perca com você. Então não teria lhe chamado aqui para "brincar".
Meu irmão ficou um tempo em silêncio, pensativo. Mas eu o conhecia o bastante para saber o que o atormentava. Ele não era capaz de ficar comendo uma única boceta.
- Entenda uma coisa, Jorel. Eu só quero que você case com Olívia Abertton. Em momento algum eu disse que deveria deixar de viver a sua vida como sempre viveu? Aliás, eu já falei sobre um bônus a mais na sua mesada, não é mesmo?
- Quer dizer que... Se eu casar com a tal Olívia... Posso continuar fazendo tudo que sempre fiz? E... Ainda vou ganhar uma mesada maior? – Os olhos dele se arregalaram.
- Exatamente.
- Isto inclui...
- Sim, inclui sair e foder com quantas mulheres quiser. E a mídia? Pouco importa. Pode ser fotografado em boates, saindo com amigos, vivendo a sua vidinha medíocre de sempre. E não se preocupe com o nome da família. Se eu ler "Jorel Clifford, marido de Olívia Clifford, foi flagrado aos beijos com morena misteriosa em saída de Hotel de luxo", lhe darei o valor dobrado da sua mesada.
- Você está me pagando o dobro do que me dá mensalmente para que eu case com uma gostosa, foda com ela e não deixe de foder com ninguém? E também não se importa se o nosso sobrenome valioso ficar na boca do povo, sendo o ganha-pão dos paparazzi de plantão? É bom demais para ser verdade! – ele sorriu, recostando-se confortavelmente na cadeira, sorrindo – Onde mesmo que eu assino?
Sorri satisfeito. Eu sabia que meu irmão caçula não me decepcionaria. Ele faria boa parte do serviço que era fazer a "garotinha do papai Abertton" chorar lágrimas de sangue. E isto, doeria no papai mais do que tudo. E o pior, ele não poderia fazer nada para ajudá-la. A dor dela seria a dele. Olívia Abertton, a filha do meio, a bastarda, a órfã, era a preferida daquele crápula. E eu a usaria para destruí-lo.
Se poderia mandar matá-lo ou até mesmo lhe dar um tiro com minhas próprias mãos? Claro que sim. Mas onde ficaria o doce sabor da vingança? Eu queria ver Ernest Abertton sofrendo como eu sofri, até que sua filha se tornasse um nada e desse fim à própria vida, cansada de tanto sofrer na teia que lhe preparei.
Ninguém melhor que Jorel Clifford para fazer aquele serviço. Meu irmão, diferente de mim, amava demais. Ele amava a vida, amava o dinheiro e literalmente amava todas as mulheres. E demonstrava isto através do seu pau.
As mais belas e famosas mulheres estiveram em sua cama e Jorel jamais deixou-se envolver-se emocionalmente com nenhuma delas. O coração dele pulsava no pau. E a pobre Chuchu não tinha nenhum tipo de encanto para fazer com que Jorel deixasse de ter pau no lugar do coração.
- Sabe que não posso fazer um contrato deste tipo, não é mesmo? – Esperava eu que ele entendesse.
- Por mim tudo bem.
- Mas no momento que casar, assim que assinar os papéis, na igreja mesmo, receberá o contrato assinado por mim onde aumentarei sua mesada para o dobro do valor. E claro que haverá alguns bônus caso seu nome saia na mídia, com aquelas garotas gostosas que você sai. – Incentivei.
- As prostitutas? – segurou o riso.
- Prostitutas? Eu jamais as chamaria assim. Aposto que saem com você porque tem um pau grande... Tão grande quanto o seu ego.
- Pode repetir?
- Nem fodendo.
Jorel gargalhou:
- Ok, vou seguir Olívia Palito no Insta – deu um clique no celular – Ela não é muito adepta de postagens. Na maioria das fotos está com uma garota... Que deve ter uns 16 – pareceu se interessar.
- Tem 13. E é a irmã dela.
- Como estas garotas estão botando corpo cedo! – ele meneou a cabeça – E já nas redes sociais! – suspirou – Curti e agora vou entra no PV para chamá-la para sair.
- Nem pensar! – De forma ágil me pus sobre a mesa e retirei o celular de suas mãos.
Jorel ficou me olhando com as mãos imóveis, o dedo ainda em processo de digitação:
- Gabe, eu não sei o que o tal Abertton fez para você... Mas confesso que eu tenho pena dele.
- Não é da sua conta. Esqueça o pai dela. Seu papel é sorrir e fazer o que eu mandar. Não quero que a chame para sair. O pai dela a obrigará a casar com você. Simples assim. Quero que ela tenha raiva dele.
Jorel estreitou os olhos, confuso. Eu não tinha que lhe dar satisfações. O papel dele era fazer o que eu mandava e pronto. E estava sendo bem pago para aquilo.
- Vou poder comer a minha esposa pelo menos?
- Sim... Ela e o restante das mulheres do país. Desde que não se apaixone pelo Chuchu, estará tudo certo.
- Eu, me apaixonar? – gargalhou – É mais fácil você se apaixonar do que eu.
Não me dei ao trabalho de revidar a babaquice que Jorel dizia, até porque ele não falava nada que fosse muito aproveitável.
- Agora levanta esta sua bunda preguiçosa daí e vá fazer algo útil.
- Como conquistar a Olívia Palito?
- Seu papel não é conquistar a garota, porra! – gritei, perdendo a paciência – Trate-a como o chuchu que ela é.
- Eu... Gosto de chuchu!
- Não, você não gosta de chuchu, Jorel. Ninguém pode dizer que gosta de chuchu porque é um legume sem gosto. Você só o tolera porque o come junto de alguma outra coisa.
- Já comi lula com chuchu e gostei. Tinham algumas especiarias como base do molho.
- Se o chef tirasse o chuchu o prato teria o mesmo gosto.
- Não acho!
- Quer mesmo discutir sobre o chuchu, porra? Quanto acha que vale o meu tempo?
Jorel levantou, atordoado, o dois dedos indicadores apontados para mim, como se precisasse decorar o que tinha que fazer:
- Caso com Olívia Palito, recebe o dobro de mesada, com quanto mais garotas eu trai-la, mais dinheiro ganho. E de bônus posso comer o chuchu... Mas não posso gostar. Porque lulas são melhores que chuchu.
- Fora! – gritei.
Ele saiu ainda andando de costas, falando mentalmente consigo mesmo, tão sério que parecia até que realmente estava tentando entender o que estava acontecendo. Pobre Jorel! Mal sabia que não precisava entender nada. Só casar no papel, deixar a filhinha do papai Abertton de lado e foder com tudo que tivesse uma boceta pelo caminho.
Interfonei para minha secretária, que ágil como sempre chegou em um minuto:
- Pois não, senhor Clifford.
- Marque um jantar de negócios com Ernest Abertton para amanhã à noite. Escolha o restaurante mais caro da capital de Noriah Norte. Diga que ele deve levar toda a família, a meu convite. E depois ligue para o restaurante e mande que insiram no cardápio o que tiverem de melhor a oferecer. Não quero pratos que possam sair em conta. Exijo um cardápio exclusivo, assim como um lugar reservado a mim e os Abertton.
- Estarei providenciando imediatamente, senhor Clifford. Mais alguma coisa?
- Não... É isto!
Ingrid saiu e recostei-me na cadeira, respirando fundo. Enfim, depois de tantos anos, a hora estava chegando. Ernest Abertton mal sabia o que lhe esperava: os piores dias de sua vida estavam batendo à porta. E viriam sob forma de tortura psicológica com a sua "menina dos olhos".
- Não só isto!
- Não? – O olhar dele se estreitou, como se quisesse pagar para ver.
- Vou ferrar com a sua vida.
- Vou mandar fazer um exame de DNA. Duvido que tenhamos o mesmo sangue nas veias, Gabe. Olhe o que você está me dizendo!
- Você poderia ser o bebê da mamãe, Jorel, mas não é o meu! Sabe que meu tempo é precioso para que eu o perca com você. Então não teria lhe chamado aqui para "brincar".
Meu irmão ficou um tempo em silêncio, pensativo. Mas eu o conhecia o bastante para saber o que o atormentava. Ele não era capaz de ficar comendo uma única boceta.
- Entenda uma coisa, Jorel. Eu só quero que você case com Olívia Abertton. Em momento algum eu disse que deveria deixar de viver a sua vida como sempre viveu? Aliás, eu já falei sobre um bônus a mais na sua mesada, não é mesmo?
- Quer dizer que... Se eu casar com a tal Olívia... Posso continuar fazendo tudo que sempre fiz? E... Ainda vou ganhar uma mesada maior? – Os olhos dele se arregalaram.
- Exatamente.
- Isto inclui...
- Sim, inclui sair e foder com quantas mulheres quiser. E a mídia? Pouco importa. Pode ser fotografado em boates, saindo com amigos, vivendo a sua vidinha medíocre de sempre. E não se preocupe com o nome da família. Se eu ler "Jorel Clifford, marido de Olívia Clifford, foi flagrado aos beijos com morena misteriosa em saída de Hotel de luxo", lhe darei o valor dobrado da sua mesada.
- Você está me pagando o dobro do que me dá mensalmente para que eu case com uma gostosa, foda com ela e não deixe de foder com ninguém? E também não se importa se o nosso sobrenome valioso ficar na boca do povo, sendo o ganha-pão dos paparazzi de plantão? É bom demais para ser verdade! – ele sorriu, recostando-se confortavelmente na cadeira, sorrindo – Onde mesmo que eu assino?
Sorri satisfeito. Eu sabia que meu irmão caçula não me decepcionaria. Ele faria boa parte do serviço que era fazer a "garotinha do papai Abertton" chorar lágrimas de sangue. E isto, doeria no papai mais do que tudo. E o pior, ele não poderia fazer nada para ajudá-la. A dor dela seria a dele. Olívia Abertton, a filha do meio, a bastarda, a órfã, era a preferida daquele crápula. E eu a usaria para destruí-lo.
Se poderia mandar matá-lo ou até mesmo lhe dar um tiro com minhas próprias mãos? Claro que sim. Mas onde ficaria o doce sabor da vingança? Eu queria ver Ernest Abertton sofrendo como eu sofri, até que sua filha se tornasse um nada e desse fim à própria vida, cansada de tanto sofrer na teia que lhe preparei.
Ninguém melhor que Jorel Clifford para fazer aquele serviço. Meu irmão, diferente de mim, amava demais. Ele amava a vida, amava o dinheiro e literalmente amava todas as mulheres. E demonstrava isto através do seu pau.
As mais belas e famosas mulheres estiveram em sua cama e Jorel jamais deixou-se envolver-se emocionalmente com nenhuma delas. O coração dele pulsava no pau. E a pobre Chuchu não tinha nenhum tipo de encanto para fazer com que Jorel deixasse de ter pau no lugar do coração.
- Sabe que não posso fazer um contrato deste tipo, não é mesmo? – Esperava eu que ele entendesse.
- Por mim tudo bem.
- Mas no momento que casar, assim que assinar os papéis, na igreja mesmo, receberá o contrato assinado por mim onde aumentarei sua mesada para o dobro do valor. E claro que haverá alguns bônus caso seu nome saia na mídia, com aquelas garotas gostosas que você sai. – Incentivei.
- As prostitutas? – segurou o riso.
- Prostitutas? Eu jamais as chamaria assim. Aposto que saem com você porque tem um pau grande... Tão grande quanto o seu ego.
- Pode repetir?
- Nem fodendo.
Jorel gargalhou:
- Ok, vou seguir Olívia Palito no Insta – deu um clique no celular – Ela não é muito adepta de postagens. Na maioria das fotos está com uma garota... Que deve ter uns 16 – pareceu se interessar.
- Tem 13. E é a irmã dela.
- Como estas garotas estão botando corpo cedo! – ele meneou a cabeça – E já nas redes sociais! – suspirou – Curti e agora vou entra no PV para chamá-la para sair.
- Nem pensar! – De forma ágil me pus sobre a mesa e retirei o celular de suas mãos.
Jorel ficou me olhando com as mãos imóveis, o dedo ainda em processo de digitação:
- Gabe, eu não sei o que o tal Abertton fez para você... Mas confesso que eu tenho pena dele.
- Não é da sua conta. Esqueça o pai dela. Seu papel é sorrir e fazer o que eu mandar. Não quero que a chame para sair. O pai dela a obrigará a casar com você. Simples assim. Quero que ela tenha raiva dele.
Jorel estreitou os olhos, confuso. Eu não tinha que lhe dar satisfações. O papel dele era fazer o que eu mandava e pronto. E estava sendo bem pago para aquilo.
- Vou poder comer a minha esposa pelo menos?
- Sim... Ela e o restante das mulheres do país. Desde que não se apaixone pelo Chuchu, estará tudo certo.
- Eu, me apaixonar? – gargalhou – É mais fácil você se apaixonar do que eu.
Não me dei ao trabalho de revidar a babaquice que Jorel dizia, até porque ele não falava nada que fosse muito aproveitável.
- Agora levanta esta sua bunda preguiçosa daí e vá fazer algo útil.
- Como conquistar a Olívia Palito?
- Seu papel não é conquistar a garota, porra! – gritei, perdendo a paciência – Trate-a como o chuchu que ela é.
- Eu... Gosto de chuchu!
- Não, você não gosta de chuchu, Jorel. Ninguém pode dizer que gosta de chuchu porque é um legume sem gosto. Você só o tolera porque o come junto de alguma outra coisa.
- Já comi lula com chuchu e gostei. Tinham algumas especiarias como base do molho.
- Se o chef tirasse o chuchu o prato teria o mesmo gosto.
- Não acho!
- Quer mesmo discutir sobre o chuchu, porra? Quanto acha que vale o meu tempo?
Jorel levantou, atordoado, o dois dedos indicadores apontados para mim, como se precisasse decorar o que tinha que fazer:
- Caso com Olívia Palito, recebe o dobro de mesada, com quanto mais garotas eu trai-la, mais dinheiro ganho. E de bônus posso comer o chuchu... Mas não posso gostar. Porque lulas são melhores que chuchu.
- Fora! – gritei.
Ele saiu ainda andando de costas, falando mentalmente consigo mesmo, tão sério que parecia até que realmente estava tentando entender o que estava acontecendo. Pobre Jorel! Mal sabia que não precisava entender nada. Só casar no papel, deixar a filhinha do papai Abertton de lado e foder com tudo que tivesse uma boceta pelo caminho.
Interfonei para minha secretária, que ágil como sempre chegou em um minuto:
- Pois não, senhor Clifford.
- Marque um jantar de negócios com Ernest Abertton para amanhã à noite. Escolha o restaurante mais caro da capital de Noriah Norte. Diga que ele deve levar toda a família, a meu convite. E depois ligue para o restaurante e mande que insiram no cardápio o que tiverem de melhor a oferecer. Não quero pratos que possam sair em conta. Exijo um cardápio exclusivo, assim como um lugar reservado a mim e os Abertton.
- Estarei providenciando imediatamente, senhor Clifford. Mais alguma coisa?
- Não... É isto!
Ingrid saiu e recostei-me na cadeira, respirando fundo. Enfim, depois de tantos anos, a hora estava chegando. Ernest Abertton mal sabia o que lhe esperava: os piores dias de sua vida estavam batendo à porta. E viriam sob forma de tortura psicológica com a sua "menina dos olhos".
Chapter 3
POV OLÍVIA
Desci as escadas correndo atrás de Isa, que decidiu me torturar com cócegas quando encontrei um "Isa e Marcelo" no seu caderno, escrito com a sua letra. Ela gargalhava e fugia de forma ágil, como sempre. Eu tentava desviar dos tapetes e pulava por cima dos degraus. E assim chegamos na sala de jantar.
Rose nos olhou com cara de insatisfação. Dei um beijo no meu pai e sentei-me à mesa, de frente para Isabelle.
- Como foi seu dia, pai? – perguntei enquanto via a comida ser posta no meu prato: peixe com leguminosas.
Olhei para o macarrão com camarão que seria o prato principal dos demais e cheguei a sentir água na boca.
- Se comportar-se eu lhe dou um camarão depois. – Isabelle provocou, pegando um com a mão e me mostrando, rindo.
Fiz careta para ela e lambi os beiços ao ver o camarão:
- Isto é injusto, sua pestinha. Eu com este peixe sem tempero e você com um camarão gigante.
- Injusto? – Rose riu, daquele jeito cruel – Deve dar-se por satisfeita de ter um prato diferente para você. E por mim, se quer comer a macarronada, fique à vontade. O problema é seu e não meu.
Abaixei a cabeça e meu pai pôs a mão sobre a minha:
- Sabe que sua dieta é feita de acordo com o que a nutricionista propõe, Coração.
- Nutricionista esta que está bem cara, por sinal! – Rose deixou claro, enquanto enrolava o macarrão no seu garfo, me fazendo ficar com água na boca.
Ela estava reclamando do custo da minha comida?
- Querida, por favor, não fale assim. Olívia pode pensar que estamos em contenção de despesas! – Meu pai sorriu, querendo me acalmar, falando qualquer coisa que quebrasse o gelo entre minha madrasta e eu.
- Ah, sim... E não estamos – Rose piscou na direção dele enquanto levantava a taça com água e piscava – Somos uma família rica que pode manter qualquer coisa! – Soltou a ponta do que foi uma risada que tentou conter.
- Tenho boas notícias! – papai falou num tom mais alto, a respiração acelerando de forma que eu consegui ouvir ao seu lado – Fomos convidados para um jantar em família.
Rose bufou, revirando os olhos, fazendo pouco caso.
- Com quem? Terá garotos da minha idade neste jantar? – Isabelle interessou-se.
Papai riu:
- Você não pode pensar em garotos ainda, docinho de coco.
- Eu já tenho 13 anos. – Ela contestou.
- Você "só tem" 13 anos. – Papai riu divertidamente – Não quer saber com quem será o jantar? – ele olhou para Rose, que parecia pouco se importar.
- Tanto faz... – Ela sequer se deu ao trabalho de olhá-lo.
- É um jantar de negócios, mas ele fez questão que eu levasse a família.
- Uhum... – Rose fez questão de deixar claro que estava "se fodendo" para o que papai tinha dizer.
- Quem sabe eu devo dizer ao CEO da Clifford que minha esposa não faz questão de participar do jantar no melhor restaurante do país.
Rose encarou meu pai:
- Que tipo de brincadeira sem graça é esta, Ernest Abertton?
Papai sorriu, com ar de vitória:
- Sim, a secretária da Clifford me ligou e disse que o CEO deseja falar comigo num jantar de negócios, em família!
- Devem ter se enganado de número.
- Ela falou meu nome: Ernest Abertton. – Ele sorriu vitorioso e piscou.
Rose levantou-se:
- Não!
- Sim! – ele gargalhou, brincando com os lábios num sorriso divertido.
- Iremos jantar com o dono da maior indústria farmacêutica do mundo? – Rose pôs as mãos no peito, fazendo uma cena teatral digna do Oscar, só para deixar claro o quanto aquilo a emocionou – Será que ele quer fazer uma parceria com a nossa concessionária de rodovias? – estreitou os olhos, confusa – O que nossa empresa teria a ver com a dele?
- Talvez ele queira voltar a fabricar minhas insulinas! – Suspirei, esperançosa.
- Acha que aquele homem sabe que existe insulina, Olívia? – Rose me olhou – Ele está literalmente pouco se importando com o mundo ao seu redor. Gabe Clifford tem dinheiro e poder suficiente para tirar a insulina do mundo.
- E eu morreria.
Todos me olharam e foquei em Rose, sabendo que certamente no seu íntimo desejava que a insulina do mundo explodisse.
- Coração, por favor, não me faça chorar! – Papai fez beiço, pegando minha mão.
- Quando ficar adulta vou inventar uma insulina diferente – Isabelle tentou me confortar – E nem vai haver picada. Aliás, vou criar a cura da diabetes. – Piscou, segura de si.
Nós três rimos. Rose seriamente perguntou:
- Como será isto, Ernest? Temos que chamar Rita.
- Mas ela está nos Estados Unidos. – Papai estreitou os olhos, certamente pensando no quanto Rose era louca e sem noção.
- É um jantar em família. E certamente Gabe só o fez porque tem interesse em nossa Rita. – sorriu satisfeita – Sempre tive certeza que minha garota seria alguém importante. A criei para isto! Rita Abertton Clifford... O nome soa perfeito, querido!
- Rose, Rita está muito longe daqui.
- Pode mandar dinheiro para ela alugar um jato particular – sugeri – Rita chegaria bem rápido em Noriah Norte e não teria a mínima possibilidade de não chegar a tempo para o jantar de negócios... Em família – "em família"; aquilo era bem estranho. O que levava o dono da maior indústria farmacêutica do mundo a marcar um jantar de negócios com o meu pai, dono de uma concessionária de estradas, chamando toda a família?
- Ah, sim... Um jatinho... Alguns milhões de norians! – Papai sorriu, dando um tapinha na minha mão.
- Eu nunca andei num jatinho. – Isabelle reclamou, chorosa.
- Seja como a sua irmã no futuro e andará num jatinho, querida. – Rose sorriu para ela e em cerca de um segundo depois ficou séria – Nada foi em vão, Ernest – olhou para meu pai – O curso de modelo, os custos com a estadia dela nos Estados Unidos, roupas, comida... Rita será a esposa de Gabe Clifford!
- Querida, não se empolgue tanto, por favor! É só um jantar e não temos a mínima ideia do que Clifford deseja.
- Devo comprar um vestido novo? – Perguntei, incerta se teria que sair cedo na manhã seguinte para encontrar algo incrível já que era a oportunidade de ver o meu ídolo de perto, Jorel Clifford.
- "Querida"... – Rose me olhou – O senhor Clifford disse jantar em "família". Você... Não é da nossa família.
Ok, Rose me dizia algumas coisas ruins. Mas aquilo me doeu demais. Sempre fiz questão de entender o lado dela, afinal, eu era a filha de uma mulher que meu pai teve como amante enquanto estavam casados e agora ela ainda era obrigada a me suportar em sua casa. Mas dizer que eu não era da família?
- Mas Olívia é da família! É minha irmã e filha de papai. Isto é família. – Isabelle deu de ombros, pondo um camarão inteiro na boca.
Papai me olhou e depois encarou Rose:
- Ela é minha filha.
- Querido, Clifford é um homem tradicional e todos sabemos disto. O que ele dirá quando você aparecer com uma filha que praticamente ninguém sabe que existe? Terá coragem de dizer que Olívia é bastarda, filha de uma vagabunda que você comeu numa noite de bebedeira? Duvido que aquele homem seja conivente com isto. Perderá seja lá o tipo de negócio que o CEO deseja esteja disposto a lhe oferecer. Sem contar que... Ele pode achar que terá direito de agir com nossa Rita como você fez comigo no passado comigo. Ira supor que somos uma família desestruturada e problemática. Não faz sentido Olívia participar disto. Seria difícil explicar a presença dela no jantar sem ser um constrangimento para todos nós, inclusive para ele.
Desci as escadas correndo atrás de Isa, que decidiu me torturar com cócegas quando encontrei um "Isa e Marcelo" no seu caderno, escrito com a sua letra. Ela gargalhava e fugia de forma ágil, como sempre. Eu tentava desviar dos tapetes e pulava por cima dos degraus. E assim chegamos na sala de jantar.
Rose nos olhou com cara de insatisfação. Dei um beijo no meu pai e sentei-me à mesa, de frente para Isabelle.
- Como foi seu dia, pai? – perguntei enquanto via a comida ser posta no meu prato: peixe com leguminosas.
Olhei para o macarrão com camarão que seria o prato principal dos demais e cheguei a sentir água na boca.
- Se comportar-se eu lhe dou um camarão depois. – Isabelle provocou, pegando um com a mão e me mostrando, rindo.
Fiz careta para ela e lambi os beiços ao ver o camarão:
- Isto é injusto, sua pestinha. Eu com este peixe sem tempero e você com um camarão gigante.
- Injusto? – Rose riu, daquele jeito cruel – Deve dar-se por satisfeita de ter um prato diferente para você. E por mim, se quer comer a macarronada, fique à vontade. O problema é seu e não meu.
Abaixei a cabeça e meu pai pôs a mão sobre a minha:
- Sabe que sua dieta é feita de acordo com o que a nutricionista propõe, Coração.
- Nutricionista esta que está bem cara, por sinal! – Rose deixou claro, enquanto enrolava o macarrão no seu garfo, me fazendo ficar com água na boca.
Ela estava reclamando do custo da minha comida?
- Querida, por favor, não fale assim. Olívia pode pensar que estamos em contenção de despesas! – Meu pai sorriu, querendo me acalmar, falando qualquer coisa que quebrasse o gelo entre minha madrasta e eu.
- Ah, sim... E não estamos – Rose piscou na direção dele enquanto levantava a taça com água e piscava – Somos uma família rica que pode manter qualquer coisa! – Soltou a ponta do que foi uma risada que tentou conter.
- Tenho boas notícias! – papai falou num tom mais alto, a respiração acelerando de forma que eu consegui ouvir ao seu lado – Fomos convidados para um jantar em família.
Rose bufou, revirando os olhos, fazendo pouco caso.
- Com quem? Terá garotos da minha idade neste jantar? – Isabelle interessou-se.
Papai riu:
- Você não pode pensar em garotos ainda, docinho de coco.
- Eu já tenho 13 anos. – Ela contestou.
- Você "só tem" 13 anos. – Papai riu divertidamente – Não quer saber com quem será o jantar? – ele olhou para Rose, que parecia pouco se importar.
- Tanto faz... – Ela sequer se deu ao trabalho de olhá-lo.
- É um jantar de negócios, mas ele fez questão que eu levasse a família.
- Uhum... – Rose fez questão de deixar claro que estava "se fodendo" para o que papai tinha dizer.
- Quem sabe eu devo dizer ao CEO da Clifford que minha esposa não faz questão de participar do jantar no melhor restaurante do país.
Rose encarou meu pai:
- Que tipo de brincadeira sem graça é esta, Ernest Abertton?
Papai sorriu, com ar de vitória:
- Sim, a secretária da Clifford me ligou e disse que o CEO deseja falar comigo num jantar de negócios, em família!
- Devem ter se enganado de número.
- Ela falou meu nome: Ernest Abertton. – Ele sorriu vitorioso e piscou.
Rose levantou-se:
- Não!
- Sim! – ele gargalhou, brincando com os lábios num sorriso divertido.
- Iremos jantar com o dono da maior indústria farmacêutica do mundo? – Rose pôs as mãos no peito, fazendo uma cena teatral digna do Oscar, só para deixar claro o quanto aquilo a emocionou – Será que ele quer fazer uma parceria com a nossa concessionária de rodovias? – estreitou os olhos, confusa – O que nossa empresa teria a ver com a dele?
- Talvez ele queira voltar a fabricar minhas insulinas! – Suspirei, esperançosa.
- Acha que aquele homem sabe que existe insulina, Olívia? – Rose me olhou – Ele está literalmente pouco se importando com o mundo ao seu redor. Gabe Clifford tem dinheiro e poder suficiente para tirar a insulina do mundo.
- E eu morreria.
Todos me olharam e foquei em Rose, sabendo que certamente no seu íntimo desejava que a insulina do mundo explodisse.
- Coração, por favor, não me faça chorar! – Papai fez beiço, pegando minha mão.
- Quando ficar adulta vou inventar uma insulina diferente – Isabelle tentou me confortar – E nem vai haver picada. Aliás, vou criar a cura da diabetes. – Piscou, segura de si.
Nós três rimos. Rose seriamente perguntou:
- Como será isto, Ernest? Temos que chamar Rita.
- Mas ela está nos Estados Unidos. – Papai estreitou os olhos, certamente pensando no quanto Rose era louca e sem noção.
- É um jantar em família. E certamente Gabe só o fez porque tem interesse em nossa Rita. – sorriu satisfeita – Sempre tive certeza que minha garota seria alguém importante. A criei para isto! Rita Abertton Clifford... O nome soa perfeito, querido!
- Rose, Rita está muito longe daqui.
- Pode mandar dinheiro para ela alugar um jato particular – sugeri – Rita chegaria bem rápido em Noriah Norte e não teria a mínima possibilidade de não chegar a tempo para o jantar de negócios... Em família – "em família"; aquilo era bem estranho. O que levava o dono da maior indústria farmacêutica do mundo a marcar um jantar de negócios com o meu pai, dono de uma concessionária de estradas, chamando toda a família?
- Ah, sim... Um jatinho... Alguns milhões de norians! – Papai sorriu, dando um tapinha na minha mão.
- Eu nunca andei num jatinho. – Isabelle reclamou, chorosa.
- Seja como a sua irmã no futuro e andará num jatinho, querida. – Rose sorriu para ela e em cerca de um segundo depois ficou séria – Nada foi em vão, Ernest – olhou para meu pai – O curso de modelo, os custos com a estadia dela nos Estados Unidos, roupas, comida... Rita será a esposa de Gabe Clifford!
- Querida, não se empolgue tanto, por favor! É só um jantar e não temos a mínima ideia do que Clifford deseja.
- Devo comprar um vestido novo? – Perguntei, incerta se teria que sair cedo na manhã seguinte para encontrar algo incrível já que era a oportunidade de ver o meu ídolo de perto, Jorel Clifford.
- "Querida"... – Rose me olhou – O senhor Clifford disse jantar em "família". Você... Não é da nossa família.
Ok, Rose me dizia algumas coisas ruins. Mas aquilo me doeu demais. Sempre fiz questão de entender o lado dela, afinal, eu era a filha de uma mulher que meu pai teve como amante enquanto estavam casados e agora ela ainda era obrigada a me suportar em sua casa. Mas dizer que eu não era da família?
- Mas Olívia é da família! É minha irmã e filha de papai. Isto é família. – Isabelle deu de ombros, pondo um camarão inteiro na boca.
Papai me olhou e depois encarou Rose:
- Ela é minha filha.
- Querido, Clifford é um homem tradicional e todos sabemos disto. O que ele dirá quando você aparecer com uma filha que praticamente ninguém sabe que existe? Terá coragem de dizer que Olívia é bastarda, filha de uma vagabunda que você comeu numa noite de bebedeira? Duvido que aquele homem seja conivente com isto. Perderá seja lá o tipo de negócio que o CEO deseja esteja disposto a lhe oferecer. Sem contar que... Ele pode achar que terá direito de agir com nossa Rita como você fez comigo no passado comigo. Ira supor que somos uma família desestruturada e problemática. Não faz sentido Olívia participar disto. Seria difícil explicar a presença dela no jantar sem ser um constrangimento para todos nós, inclusive para ele.